O Flamengo do primeiro tempo contra o Grêmio parecia um time sem forças para se impor. No jogo que valia a vida no campeonato, a equipe trocava a bola no ataque, esperava o adversário dar espaços. Uma postura de "deixa acontecer naturalmente". E aconteceu o gol gaúcho.
Filipe Luís e Gerson estavam onde deviam estar, mas Alisson teve liberdade para puxar para o meio e cruzar. Gustavo Henrique e Arão também estavam onde deviam estar, mas Diego Souza infiltrou e testou com facilidade. Marcação passiva de um time que tem uma dificuldade imensa para machucar, e quando dá por si já foi machucado.
Gabigol tinha sido a exceção no primeiro tempo. As duas chances desperdiçadas na frente de Vanderlei poderiam custar caro, mas também geraram sinais raros de indignação neste Flamengo. Sentimento transformado em poder de decisão na volta do intervalo.
Com Arrascaeta pela esquerda e Bruno Henrique mais avançado, Rogério Ceni indicou o caminho que foi aberto por Gabigol. Incansável de um lado para o outro, o camisa 9 chacoalhava os companheiros a cada tentativa de jogada, pedia a bola e iniciou seu recital com passe na medida para Everton Ribeiro empatar aos 11.
A chapada perfeita da entrada da área três minutos depois foi fundamental para o Flamengo não perder o pique, e a atitude somada a eficiência de Gabriel fizeram com que o time arrumado e cabisbaixo do primeiro tempo estufasse o peito para se impor de cabeça em pé sobre o Grêmio.
Dos 11 aos 20, foram nove minutos em que "jogar à Gabigol" fez o time também "jogar à Flamengo". Já em vantagem no placar, Arrascaeta e Ribeiro desperdiçaram chances claríssimas até que o uruguaio aproveitou mais uma assistência de Gabriel para fazer o 3 a 1.
O Flamengo que tinha 45 minutos para sobreviver no Brasileirão precisou de apenas 20 e de Gabigol. As mudanças repetidas e insistentes de Rogério Ceni ainda fizeram com que o Grêmio crescesse. Por mais que troque peças com características similares, a diferença técnica gigantesca faz o time se retrair. Não são poucos os exemplos nestes 16 jogos com o treinador.
Diego Souza diminuiu, Isla fez 4 a 2, e a verdade é que aqueles nove minutos foram suficientes. Faltando seis rodadas, o Flamengo está vivo na briga por mais um título do Brasileirão.
Com 18 pontos em disputa e um confronto direto, a diferença é de quatro para o Inter. Seis partidas em que, antes de querer "jogar à Flamengo", é preciso "jogar à Gabigol".
Informações: Globoesporte

Postar um comentário